500 ANOS DA REFORMA

Soli Deo Gloria!

Leandro Alves, Engenheiro de Software, Gama – DF

01 de novembro de 2017

Soli Deo Gloria é uma das Cinco Solas que marcam a Reforma Protestante, e significa “glória somente a Deus”. O termo em latim pode nos leva pensar que é algo basicamente teológico e complexo, mas, na verdade, é talvez o princípio mais prático e relevante para a vida cristã cotidiana.

Assim como toda a Reforma, este princípio se refere diretamente ao assunto da salvação humana (soteriologia). Com o entendimento de que o homem é salvo de forma gratuita e por um esforço unilateral de Deus, chega-se à conclusão que ninguém deve se gabar pelo fato de ser salvo, como diz e Efésios 2:8-9: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie”. Ou seja, a glória (ou mérito) não deve ser dado ao homem, nem às obras, nem à igreja, nem aos santos, mas a Deus, e somente a Deus.

E isto traz consequências importantes, pois, além de eliminar a adoração aos santos e imagens, acaba com a dualidade entre “vida secular” e “vida espiritual”, mudando a forma com que nós glorificamos a Deus. Se antes uma vida que glorificava a Deus, era a realizada no templo, por meio dos sacramentos e sacerdotes, agora, glorificar a Deus era algo para ser feito no dia-a-dia.

Mas o que seria glorificar a Deus? John Piper define a glória de Deus como “o esplendor externo da beleza intrínseca e grandeza da sua multiforme perfeição”. Portanto, glorificar a Deus é externalizar, mostrar a todos, dar publicidade a esta grandeza e beleza. E isto deve ser feito cotidianamente. Em cada ação. Seja no trabalho, escola, com amigos, num jantar de família, no futebol, enfim, em toda e qualquer circunstância, como diz em 1 Co 10.31: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”.

Exemplo disto pode ser visto no famoso diálogo entre Lutero e um sapateiro.  Ele perguntou a Lutero o que deveria fazer para servir bem a Deus. Lutero respondeu: “Faça um bom sapato e venda-o por um preço justo”. Ele serviria a Deus sendo um profissional competente e honesto. Glorificando a Deus no seu dia-a-dia.

Tem uma música que mostra isso muito bem: “Hoje”, de Gerson Borges e Paulo Nazareth:

Hoje eu vou brincar com meu filho

Hoje eu ligo até pro meu velho

Hoje eu priorizo na agenda

O Espírito Santo, o Filho e o Pai

Na música, entre as várias coisas as quais ele quer fazer no dia de hoje, ele coloca se relacionar com o  “Espírito Santo, o Filho e o Pai”, isto, de forma tão corriqueira que fazer exercícios ou brincar com o filho. Mostrando não haver uma separação na sua vida entre suas atividades cotidianas e sua “vida espiritual”, ou seja, faz tudo parte do mesmo contexto, em que mesmo fazer exercício é também para a glória de Deus.

Portanto, o Soli Deo Glória, muito além de um princípio teológico, deve ser algo experimentado e vivido a cada dia. A Reforma não é para o Domingo. A Reforma Protestante é para a segunda-feira.