500 ANOS DA REFORMA

Sola Scriptura

Lucas Vicente, 30 anos, peregrino

11 de outubro de 2017

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para nos ensinar o que é verdadeiro e para nos fazer perceber o que não está em ordem em nossa vida. Ela nos corrige quando erramos e nos ensina a fazer o que é certo. Deus a usa para preparar e capacitar seu povo para toda boa obra.” 2 Timóteo 4.16 e 17

O que vem a ser sola Scriptura? O título vem do latim, significa somente a Escritura, que é uma das ênfases centrais da Reforma protestante.

Segundo Alister McGrath, Deus “é capaz de se comunicar com os seres humanos através da linguagem humana” e o autor ainda complementa dizendo que, “embora possam ser fragmentadas e imperfeitas, as palavras possuem a capacidade de funcionar como um meio através do qual Deus é capaz de se revelar e propiciar um encontro transformador entre o Cristo ressuscitado e aquele que crê”.

O posicionamento dos reformadores é de que a Escritura Sagrada é o único e verdadeiro fundamento da fé cristã e a igreja é convalidada pela Escritura e não o contrário.

Sola Scriptura vem em contraponto à visão da Igreja Católica que acreditava que “a igreja ensina” ou que “a tradição ensina”, a autoridade da Escritura na verdade está acima tanto da autoridade da Igreja como da tradição, assim sendo, os reformadores criam que a própria Escritura ensina (vide a Confissão de Fé de Westminster – “IX. A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente.”).

Conforme vemos na passagem do Apóstolo Paulo que abre o texto, as Escrituras ou o texto sagrado surgiu por inspiração (lit., “toda a Escritura é soprada por Deus”) divina, e na verdade a palavra “inspirada” é empregada como metáfora no Antigo Testamento e se refere aos atos de Deus (Jó 33.4; Sl 33.6).

Então, segundo a interpretação de Franklin Ferreira “o que o apóstolo afirma é que as Escrituras são objeto da ação de Deus; os homens não são mencionados, mesmo estando envolvidos. A formação das Escrituras é inteiramente associada à atividade de Deus.”

O que para Calvino quer dizer que nós “devemos à Escritura a mesma reverência devida a Deus, já que ela tem nele sua única fonte, e não existe nenhuma origem humana misturada nela”.

E não apenas o Apóstolo Paulo trata da inspiração divina, o Apóstolo Pedro em 2 Pedro 1.20 e 21 diz: “Acima de tudo, saibam que nenhuma profecia nas Escrituras surgiu do entendimento do próprio profeta, nem de iniciativa humana. Esses homens foram impulsionados pelo Espírito Santo e falaram da parte de Deus”. Ou seja, os homens que falaram da parte de Deus foram impulsionados (ou impelidos) pelo próprio Espírito Santo para registar aquilo que vem do próprio Deus.

Que após esses 500 possamos anos de Reforma voltar a Bíblia como uma revelação direta, viva e pessoal de Deus, acessível a qualquer pessoa. Que tenhamos o anseio pela Palavra assim como o salmista Davi em Salmos 19.7-10: “A lei do Senhor é perfeita e revigora a alma. Os decretos do Senhor são dignos de confiança e sabedoria aos ingênuos.  Os preceitos do Senhor são justos e alegram o coração. Os mandamentos do Senhor são límpidos e iluminam a vida. O temor do Senhor é puro e dura para sempre. As instruções do Senhor são verdadeiras e todas elas são corretas. São mais desejáveis que o ouro, mesmo o ouro puro. São mais doces que o mel, mesmo o mel que goteja do favo”.

“A Bíblia é essencialmente um livro de salvação. O seu propósito mais alto não é ensinar fatos da ciência (como, por exemplo, a natureza das rochas da lua) que o homem pode descobrir por sua própria investigação experimental, mas sim ensinar fatos da salvação, que nenhum explorador espacial pode descobrir, mas que somente Deus pode revelar. A Bíblia toda explica o plano de salvação: a criação do homem à imagem de Deus; sua queda em pecado através da desobediência, e o consequente juízo; o permanente amor de Deus para com ele, a despeito de sua rebelião; o eterno plano de Deus para salvá-lo através de seu pacto de graça com um povo escolhido, culminando em Cristo; a vinda de Cristo, como Salvador, que morreu para levar o pecado do homem; a ressureição de Cristo de entre os mortos; sua exaltação no céu, e o envio do Espírito Santo; e o resgate do homem, primeiro da culpa e da alienação, depois da escravidão, e finalmente da mortalidade, em sua progressiva experiência da liberdade dos filhos de Deus. Nada disso seria reconhecido sem a revelação bíblica […] Mais precisamente, a Bíblia instrui para a salvação “pela fé em Jesus Cristo”. Assim, sendo a Bíblia é um livro de salvação e salvação por meio de Cristo, a Bíblia é essencialmente cristocêntrica.”

John Stott