Sola a Gratia!

Edson Gouvêia, pastor da Igreja de Cristo em Brasília

25 de outubro de 2017

A expressão “sola a gratia” (só a graça), é um dos cinco solas da Reforma Protestante do século dezesseis. É importante conhecer o contexto dessa declaração. A partir do século treze, era comum entre os escolásticos – tendo como principal representante Tomás de Aquino, que se tornou o grande teólogo da Igreja Católica Apostólica Romana – salientar a ideia da “salvação cooperativa”, em que o puro favor de Deus cooperaria com as obras humanas, juntamente com a observância dos ritos e demais provisões da igreja. Já que essas “obras” eram interpretadas de modo “legalistas”, a ideia do “mérito humano”, mui necessariamente, participava da doutrina da salvação. Isso significava que a “graça de Deus” não poderia mais ser logicamente considerada o único meio de salvação do homem. Com isto, a igreja retornava a práticas judaizantes acerca da salvação. A contínua e exagerada ênfase sobre os méritos humanos para a salvação foi se fortalecendo cada vez mais na Igreja Romana.

O papa reinante da época da Reforma, Leão X, em razão da necessidade de grandes somas de dinheiro, permitiu que um de seus enviados, Johannes Ttzel, percorresse a Alemanha vendendo bulas, assinadas pelo papa, as quais dizia possuírem a virtude de conceder perdão de todos os pecados, não só aos possuidores da bula, mas também aos amigos, mortos ou vivos, em cujo nome fossem as bulas compradas, sem necessidade de confissão, nem absolvição pelo sacerdote. Ttzel fazia esta afirmação ao povo: “Tão depressa o vosso dinheiro caia no cofre, a alma de vossos amigos subirá do purgatório ao céu”. Lutero ficou indignado com essas declarações e, por sua vez, começou a pregar contra as afirmações de Ttzel e sua campanha de venda de indulgências, denunciando como falso esse ensino.

No dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero afixou, na porta da Catedral de Winttenberg, um pergaminho que continha noventa e cinco teses, ou declarações, quase todas relacionadas com a venda de indulgências.

Lutero passou a ensinar a grande verdade bíblica fundamentada principalmente em Romanos 3: 24 a 26, que diz: Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; tendo em vista a manifestação da sua justiça no tempo presente, para ele mesmo ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus. O texto bíblico afirma, de forma inequívoca, que a graça de Deus é suficiente para a nossa, salvação, independente de obras ou méritos humanos. Somos justificados gratuitamente pela graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus.

Não há necessidade de acrescentar absolutamente nada, a obra de Cristo na cruz para a nossa salvação foi completa e definitiva. Tudo foi consumado. Tentar acrescentar qualquer outra coisa é desvalorizar a obra salvadora do Senhor Jesus Cristo. Só a graça mediante a fé em Cristo Jesus é suficiente para a salvação de qualquer pecador. Outro texto muito citado pelos Reformadores é Ef. 2:8-9: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.

A graça é a maravilhosa dádiva de Deus aos pecadores. Só podemos alcançar a salvação, o perdão, justificação e a santificação pela suprema riqueza da graça de Deus em Cristo Jesus. Como afirmou o Dr. Martyn Lloyd-Jones: “Tudo é pela graça na vida cristã, do início ao fim”. Por isso, afirmemos confiadamente como os Reformadores: Sola a Gratia. (Só a Graça)