Descobrindo o ministério para uma vida missional

Leandro Alves, Engenheiro de Software, Gama – DF

10 de Janeiro de 2017

Quando pensamos em “missão” a primeira coisa que nos vem à mente são as missões transculturais. Da mesma forma, “campo missionário” virou quase que um outro nome para “África”, e um “missionário”  se tornou aquela pessoa que deixa seu país e vai para o outro lado do mundo pregar o evangelho. Isso tudo está correto, mas é um entendimento incompleto da missão que Jesus deixou para a igreja.

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Desde a década de 70, um termo se popularizou no meio evangélico: “Missio Dei”, ou seja, a Missão de Deus. David Bosch explica o significado do termo e como que se aplica à igreja: em resumo, a doutrina clássica da missio Dei diz que o Pai envia o Filho, Pai e o Filho enviam o Espírito, e o Pai, Filho e Espírito Santo, juntos, enviam a igreja ao mundo (1). Ou seja, é o entendimento de que Deus está em missão e de que tudo o que Ele faz ou fez, está dentro dela e, ainda, que a igreja faz parte ativamente dessa missão, ordenada em Mateus 28:

19. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20. ensinando-os a obedecer a tudo o que eu ordenei a vocês. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.

As consequências disto são muito claras, cada membro do corpo de Cristo deve se envolver diretamente com a missão de Deus. Como dizia Spurgeon: “Todo cristão ou é um missionário ou é um impostor”. O que não significa necessariamente fazer as malas e ir para o Camboja evangelizar. Alguns terão esse chamado, mas mesmo os que não tem, devem se envolver com a missão. Por isso é importante que  cada um compreenda qual seu chamado ministerial.

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Somente com a compreensão do chamado ministerial podemos entender qual nosso papel dentro do corpo de Cristo, além de desenvolver habilidades que serão úteis pra uma vida missional. Existem diversas definições para o seria uma vida “missional”, eu me arrisco a dizer que vida missional é um estilo de vida pautado na missão de Deus, ou seja, em que minha missão de vida compreende a missão da igreja. No excelente Igreja Centrada, Tim Keller propõe (2) três características que todo cristão deveria desenvolver para uma vida missional:

  1. ser testemunha do evangelho por meio das palavras e em seus relacionamentos;
  2. amar o próximo e fazer justiça em seu bairro e cidade; e
  3. integrar fé e trabalho com o objetivo de se engajar na cultura por meio de sua profissão.

Me parece que a maior dificuldade se encontra justamente no terceiro ponto. Muitas vezes parece que aquilo que fazemos na escola, faculdade ou trabalho não tem relação alguma com o ide de Jesus. Mais que isso, acabamos vivendo uma vida dupla: aquela que Deus quer que vivamos: na igreja, no ministério, no fim de semana, e a outra é a vida que parece ser inevitável, no trabalho, na escola, durante a semana, mas que não tem nada a ver com os planos divinos.

Entretanto, este dilema parece nunca ter sido um problema para Lutero, que não separava profissão de missão. Diz-se que um sapateiro convertido perguntou a Lutero o que poderia fazer para servir melhor à Deus e ser um cristão melhor. Lutero respondeu: “Faça um bom sapato e venda por um preço justo”. A verdade é que nunca conseguiremos viver uma vida missional se continuarmos vivendo duas vidas distintas, ou separando áreas diferentes da nossa vida. Uma vida baseada na missão deve ter muito clara a compreensão dos ministérios e buscar viver o ministério para o qual fomos chamados em cada momento de nossa vida.

Portanto, é muito importante buscar entender os ministérios biblicamente. Eles são apresentados em Efésios 4:11:

E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres

Nas próximas semanas teremos um post por semana, falando sobre cada um dos cinco ministérios, para que, assim, possamos compreender nosso chamado ministerial e assim levar uma vida missional.

 

Referências

1 – SARISKY, Darren. The Meaning of the missio Dei: Reflections on Lesslie Newbigin’s Proposal That Mission Is of the Essence of the Church. Missiology: An International Review, v. 42, n. 3, p. 257-270, 2014.

2 – KELLER, Timothy; ALSDORF, Katherine Leary. Igreja centrada: Desenvolvendo em sua cidade um ministério equilibrado e centrado no evangelho. São Paulo: Vida Nova, 2014.